quinta-feira, 4 de junho de 2009

Coisas do Nordeste

O Leitor. Foi publicada na última edição do Expresso, uma sondagem relativa às Europeias.
Duas observações daqui decorrem.
Para qualquer sujeito que não tenha especial predicado com a actividade partidária, o empate técnico entre o PSD e o PS, aparecerá como complemento directo do estado da arte. Os mais racionais, poderão eventualmente, alvitrar uma vitória de Paulo Rangel.
Todavia, o lado mais pitoresco desta sondagem é que o nível de abstenção é calculado na junção dos indecisos e abstencionistas, perspectivando pouco mais de 20%!
Esta vertente errática faz-me lembrar a resposta do Director do Centro de Sondagens da Católica (que atribui sempre os resultados mais penalizadores para o PP) quando inquirido sobre a razão para nunca acertar na força do PP: “não sei”, respondia com ar pungido! Louve-se pelo menos a honestidade.
Pois provavelmente, no seu cômputo geral, a falibilidade das sondagens radicará na forma conservadora como se extractam os dados e do método utilizado, ou não?
Assim sendo, sabendo nós o peso dissuasivo e persuasivo que as sondagens comportam, seria quase assunto de Estado rever o método e a forma como as sondagens são feitas.
Desde logo, seria importante a publicação na ficha técnica de todas as perguntas efectuadas, e respectiva ordem.
Exceptuando as sondagens feitas com simulação de voto em urna, os restantes estudos assentam na entrevista telefónica.
Sabendo nós, que com a explosão dos telemóveis, o telefone fixo perdeu alguma relevância, a pergunta é: fará sentido ter nos lares com telefone fixo a base da amostra para efectuar estudos de opinião?
A pergunta fica.
Sexo Mentiras e Telemóveis. Que a escola pública (saliente-se PÚBLICA) tem sido objecto dos mais vis atentados, ninguém tem dúvidas.
Que, por força de decreto, o saber endógeno tem sido ocupado por outros lugares, nomeadamente o circo, a diversão, e laboratórios experimentalistas, ninguém o pode negar.
O exemplo tresmalhado de Espinho é disso paradigmático.
Mais do que o comportamento desadequado da docente (indubitavelmente passível de sanção penal bem como a gravação ilícita da famigerada aula), mais do que a imaginação com que se enquadra a época clássica (na circunstância Roma), uma pergunta sobressai: o progressivo instinto da criatura adolescente para a provocação, a decadência com protecção legislativa do papel do Professor (bem sei, há de tudo no rebanho, como em qualquer actividade), o uso indevido de telemóveis, gravadores e afins, mais do que hábito, é sinal motivador dos tempos.
Entramos, há muito, no paradoxo legislativo.
A permissividade do legislador em determinados cânones tem sido tão recorrente, que faz recordar “as desordens do tempo presente” a que aludia Hobbes, cientista político dos séc’s. XVI/XVII.
Já agora, para os abstencionistas da memória, convinha recordar que por coincidência ou calculismo puro, os partidos que fazem a apologia avinhada da educação sexual e da distribuição dos preservativos nas escolas, desapareceram quando o epicentro noticioso estava localizado em Espinho.
Deve ser do tempo.
Mi Allegro! Manuel Alegre, saiu mas não desistiu.
Estará cansado o poeta voz de trovão? Não.
Sabendo que o sonho comanda a vida, dizem os jornais de Lisboa que chegam à província, que Alegre optou pela equidistância para reencontrar amores antigos de 2006.
O tempo, melhor conselheiro para as tempestades emotivas, ditará a bonança ou a desgraça.

1 comentário:

India disse...

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